terça-feira, 23 de março de 2010

JÚLIO VERNE

Júlio Verne 

- Um precursor da ficção científica

Neste ano de 2005, a França comemora o centenário de morte de Júlio Verne, um dos romancistas mais imaginativos e populares. Sua obra, uma das mais traduzidas no mundo, transformou-o em um dos escritores franceses universalmente mais conhecidos. Espírito extraordinariamente curioso, foi um grande leitor. Nutria a sua cultura nas enciclopédias e nos periódicos que lia sistematicamente todos os dias. Soube como ninguém revelar os sonhos da sua época, expondo as visões de um novo mundo. Suas especulações baseavam-se numa documentação científica impressionante que acumulava antes de iniciar os seus romances. A estas pesquisas se associava uma imaginação literária e poética de grande sensibilidade político-social que valorizava a importância da ciência e da tecnologia. Como disse o filósofo e escritor Serres: desde a morte de Verne falta um escritor que dê a ciência a valorização que ela merece. Até hoje, o próprio nome Jules Verne evoca as imagens de um mundo, onde o cientista era uma mente preocupada em preservar um futuro feliz e justo para a humanidade – como, por exemplo, a do capitão Nemo, capaz de destruir os seus inventos, pois acreditava que os governos ainda não estavam prontos para recebê-los - em relatos fantásticos ricamente ilustrados das Viagens extraordinárias, que mais tarde seriam aproveitados pelo cinema. Em conseqüência dos seus textos de visionário e do seu permanente aproveitamento cinematográfico, o nome de Jules Verne tornou-se um mito universal e imortal.
Júlio Verne viveu 20 anos em Nantes, 23 em Paris e 34 em Amiens.

Ao longo das próximas semanas vamos apresentar os seguintes temas:


Autoria:
Ronaldo Rogério de Freitas Mourão


Astrônomo e escritor Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, Doutor pela Universidade de Paris (Sorbonne) foi o criador e primeiro diretor do Museu de Astronomia e Ciências Afins do Rio de Janeiro. Professor visitante da Universidade do Vale do Acaraú, Sobral, Ceará é membro titular do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Academia Brasileira de Filosofia, da Academia Carioca de Letras e da Academia Luso-Brasileira de Ciencias, Letras e Artes. Primeiro Prêmio José Reis (1979). Autor de mais de 100 artigos de pesquisa publicados em revistas cientificas internacionais e mais de 75 livros, dentre eles o Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica – 2ª edição revista e ampliada -, o único dessa especialidade no mundo com mais de 30.000 verbetes. Consulte a homepage: http://www.ronaldomourao.com
 
 PORTAL DO ASTRÔNOMO - PORTUGAL
http://www.portaldoastronomo.org/tema.php?id=23

CORPOS CELESTES


Cosmos - Episódio 01: As Margens do Oceano Cósmico - (Dublado ...
25/03/2008 - 1:00:24
Episódio 1 - Os Limites do Oceano Cósmico - O 1° capítulo da série Cosmos. Partindo dos limites do grande oceano espacial, Carl Sagan embarca numa imensa viagem cósmica que começa a 8 ...
1:00:24 - 2 anos atrás
Episódio 1 - Os Limites do Oceano Cósmico - O 1° capítulo da série Cosmos. Partindo dos limites do grande oceano espacial, Carl Sagan embarca numa imensa viagem cósmica que começa a 8 bilhões de anos-luz da Terra. A bordo da nave espacial da sua imaginação, ele transporta-nos às maravilhas do Cosmos: quasares, galáxias em espiral, nebulosas, supernovas e pulsares. Deslizamos então para lá de Plutão, dos anéis de Urano, do majestoso sistema de saturno, e da luminosidade do lado noturno de Júpiter. Penetrando nas nuvens da Terra, encontramo-nos no Egito, onde Eratóstenes pela primeira vez mediu a Terra. O Dr. Sagan mostra-nos como isso foi feito. A Biblioteca de Alexandria, berço da aprendizagem da Antiguidade, ressuscita em toda a sua glória - para ilustrar a fragilidade do conhecimento. É então que, para nos fazer compreender a enormidade do tempo que passou desde o Big bang até hoje, Sagan nos apresenta o "Calendário Cósmico". Mais informações: http://www.carlsagan.com/ http://pt.wikipedia.org/wiki/Cosmos http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Sagan http://www.documentarios.org/serie/detalhar/26/serie_cosmos http://www.aeroespacial.org.br/educacao/documentarios.php«
 

Imagem do Dia:                                                Dupla proeminência no Sol

2003-04-27

Crédito: SOHO - EIT Consortium, ESA, NASA.
Telescópio: SOlar and Heliospheric Observatory (SOHO).
Instrumento: EIT camera.
 
Nesta imagem espantosa, podemos ver duas proeminências solares. Estas são estruturas filamentares magnetizadas constituídas por plasma denso, relativamente frio (isto é, mais frio do que a superfície do Sol). Por esta razão, quando observadas contra o disco solar aparecem como filamentos escuros. Mas, quando vistas contra o negro do espaço, estas enormes estruturas, cuja forma é determinada pelo campo magnético do Sol, aparecem como muito brilhantes. Esta imagem, obtida pela câmara Extreme ultraviolet Imaging Telescope (EIT) no ultravioleta extremo em 21 de Março de 2003, a partir da sonda SOHO, mostra duas gigantescas estruturas no hemisfério Sul do Sol. Para termos uma noção das dimensões reais destas estruturas, basta referir que estes dois arcos visíveis na imagem sobem, acima da superfície do Sol, a uma altura vinte vezes maior que o diâmetro da nossa Terra. Numa questão de horas, estas proeminências elevaram-se acima da superfície solar, num acontecimento que os astrónomos julgam ter estado associado com uma ejecção de massa coronal.

Galáxia espiral NGC 7742



Crédito: NASA & The Hubble Heritage Team (STScI/AURA).
Telescópio: Hubble Space Telescope (NASA/ESA).
Instrumento: Wide Field Planetary Camera 2 (WFPC2).
 
A galáxia espiral NGC 7742 é uma galáxia Seyfert 2 - um tipo de galáxia espiral activa, com um núcleo central muito brilhante onde se pensa que se esconde um buraco negro de massa elevada. O nome deste tipo de galáxia deve-se a Carl Seyfert que, em 1943, efectuou um estudo sistemático de galáxias espirais, cujos núcleos compactos e muito brilhantes pareciam mostrar sinais de intensa actividade. A cerca de 72 milhões de anos-luz, na constelação do Pégaso, NGC 7742 encontra-se virada de frente para nós, destacando-se claramente o núcleo central amarelo, com cerca de 3000 anos-luz de diâmetro. À sua volta, distribui-se uma estrutura em forma de anéis, com regiões azuladas, ricas em formação de estrelas, e braços espirais apertados, pouco brilhantes. A luminosidade duma galáxia Seyfert pode variar em períodos que vão desde apenas uns dias, até meses.

 Nebulosa da Trífida vista pelo Hubble



Crédito: NASA & Jeff Hester (Arizona State University).
Telescópio: Hubble Space Telescope (HST).

Esta imagem obtida pelo Telescópio Espacial Hubble (HST) mostra uma região na nebulosa da Trífida onde radiação proveniente de uma estrela de elevada massa se encontra a destruir um local de formação de estrelas. Esta imagem obtida pelo Hubble põe em evidência a existência de um jacto estelar de matéria, visível no canto superior esquerdo. A fonte deste jacto é uma estrela jovem em formação que se encontra mergulhada no interior poeirento da nuvem. A radiação emitida pela estrela maciça responsável por iluminar a nebulosa, estrela esta que não é visível nesta imagem, varre o material à sua volta, fazendo com que o gás da nebulosa a partir do qual novas estrelas se estão a formar, se "evapore", dificultando, assim, a formação de mais estrelas.

 NGC 1316



Crédito: P. Goudfrooij, STScI, Hubble Heritage Team, ESA, NASA.
Telescópio: Hubble Space Telescope (HST).

NGC 1316 é uma galáxia com uma estranha forma, e não se sabe bem porquê. Uma primeira inspecção revela
que NGC 1316 é uma enorme galáxia elíptica que inclue braços escuros de poeira, típicos de galáxias
espirais. No entanto, imagens como esta, obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble, revelaram que a forma peculiar desta galáxia se deve, muito provavelmente, a uma colisão entre duas galáxias. A forma inicial das duas galáxias terá sido distorcida, dando origem a esta forma híbrida. NGC 1316 estende-se ao longo de 60000 anos-luz e situa-se a cerca de 75 milhões de anos-luz de distância.


Galáxia espiral NGC 891



Crédito: 2MASS/UMass/IPAC-Caltech/NASA/NSF.
Telescópio: 2MASS (2 Micron All Sky Survey).

A galáxia NGC 891 é muitas vezes comparada com a nossa galáxia Via Láctea dadas as suas semelhanças. Vista de perfil, NGC 891 possui um disco de poeira que obscurece em grande parte a luz das suas estrelas. Mas quando observada no infravermelho, como nesta imagem, a galáxia revela melhor o seu conteúdo estelar. NGC 891 situa-se a cerca de 30 milhões de anos-luz de distância e possui um diâmetro óptico de cerca 120000 anos-luz. O seu disco fino de poeira tem certa de 1500 anos-luz de largura.

NGC 1818 -                                                   

    Um aglomerado globular jovem



Crédito: NASA.
Telescópio: Hubble Space Telescope (NASA/ESA).
Instrumento: Wide Field Planetary Camera 2 (WFPC2).
 
Os aglomerados globulares foram, no passado, bastante abundantes na Via Láctea. Hoje existem apenas cerca de 200. Muitos deles foram destruídos devido aos repetidos encontros uns com os outros, ou com o centro da Galáxia. Os sobreviventes são mais velhos que qualquer fóssil da Terra. Existem muito poucos aglomerados globulares jovens na Via Láctea, pois as condições já não são propícias para eles se formarem. Mas o panorama é diferente na nossa galáxia vizinha, a Grande Nuvem de Magalhães. A imagem mostra um aglomerado globular jovem descoberto no seu seio, designado por NGC 1818. A sua idade estimada é de 40 milhões de anos. Um verdadeiro jovem quando comparado com os aglomerados com 12 mil milhões de anos de idade da nossa Galáxia

Nebulosa do Pelicano (M20)



Crédito: Adam Block/NOAO/AURA/NSF.

A nebulosa do Pelicano é uma nebulosa de emissão e reflexão situada a cerca de 5000 anos-luz de distância na constelação do Sagitário. Estrelas jovens quentes ionizam o gás envolvente a partir do qual se formaram e fazem-no emitir. É uma das nebulosas mais jovens que se conhece, com uma idade estimada de 300000 anos. Na imagem vê-se parte desta nebulosa, sendo visíveis inúmeras zonas escuras, algumas com formas bem peculiares e características. Estas zonas são regiões de grande concentração de poeira que obscurecem a luz das estrelas. É do colapso gravitacional destas regiões que se formam mais estrelas novas.

Nebulosa planetária IC 418



Crédito: NASA & The Hubble Heritage Team (STScI/AURA).
Telescópio: Hubble Space Telescope (NASA/ESA).
Instrumento: Wide Field Planetary Camera 2 (WFPC2).
 
Esta nebulosa planetária encontra-se a cerca de 2000 anos-luz e pertence à constelação da Lebre. Nesta imagem pode ver-se estranhas texturas, fazendo lembrar rugas, em toda a extensão da nebulosa. Contudo, a sua origem permanece incerta. Uma nebulosa planetária representa o estágio final da vida de uma estrela como o Sol. A estrela central, foi, outrora, uma gigante vermelha que ejectou as suas camadas mais exteriores para o espaço, originando uma nebulosa com um diâmetro de 0,1 anos-luz. O que restou da estrela é apenas o núcleo quente da gigante vermelha que, através da sua radiação ultravioleta, excita o gás da nebulosa. A emissão de radiação por parte de azoto ionizado (o gás mais frio localizado na parte mais afastada do núcleo) está indicada a vermelho. A verde e azul temos, respectivamente, emissão de hidrogénio e oxigénio ionizado. Nos próximos milhares de anos, a nebulosa irá dispersar, e a estrela central arrefecerá, enquanto anã branca, por milhares de milhões de anos. Tal será igualmente o destino do nosso Sol.

Objecto estelar jovem GGD 27


Crédito: 2MASS/UMass/IPAC-Caltech/NASA/NSF.
Telescópio: 2MASS (2 Micron All Sky Survey).

Esta é uma imagem de infravermelho do objecto estelar jovem GGD 27. Este objecto é o centro de uma região activa de formação de estrelas altamente obscurecida por material molecular e por poeira existente ao longo da nossa linha de visão. Nesta imagem obtida através do projecto 2MASS podem-se ver várias fontes luminosas extremamente embebidas nos seus casulos embrionários, bem como uma nebulosidade bipolar que corresponde a um "outflow" molecular existente na região. Um "outflow" molecular é uma das assinaturas observacionais que assinalam a formação de uma nova estrela, e corresponde à emissão de material ao longo dos pólos dessa estrela jovem, excitando o material envolvente da zona.

Hodge 301 - Nebulosa da Tarântula



Crédito: Hubble Heritage Team (AURA/STScI/NASA).
Telescópio: Hubble Space Telescope (NASA/ESA).
Instrumento: Wide Field Planetary Camera 2 (WFPC2).
 
O aglomerado de estrelas de massa elevada que se vê no canto inferior direito desta imagem é conhecido por Hodge 301 e situa-se na famosa Nebulosa da Tarântula. Esta nebulosa, localizada na nossa galáxia vizinha Grande Nuvem de Magalhães, tornou-se o centro das atenções da comunidade astronómica em 1987 quando, no seu interior, apareceu uma supernova. Muitas das estrelas de Hodge 301 são tão velhas que elas próprias já explodiram sob a forma de supernovas. Estas estrelas estão agora a ejectar o seu material para as regiões circundantes a velocidades da ordem de 350 km por segundo. Este material está a colidir e a comprimir o gás envolvente, criando os magníficos filamentos coloridos visíveis na imagem. Ao contrário do que o nome parece indicar, uma supernova não é uma estrela nova, mas sim o resultado da explosão de uma estrela que chegou ao fim da sua vida.

M 42 - A Grande Nebulosa de Orionte



Crédito: NASA, C.R. O'Dell and S.K. Wong (Rice University).
Telescópio: Hubble Space Telescope (NASA/ESA).
Instrumento: Wide Field Planetary Camera 2 (WFPC2).
 
Esta imagem, obtida em 1995 pelo Hubble, mostra a parte central da nebulosa M 42, a Grande Nebulosa de Orionte (o Caçador), o berçário de estrelas na vizinhança do Sol (a uma distância de cerca de 1500 anos-luz) mais bem estudado. É também um dos objectos do céu nocturno mais conhecidos dos astrónomos amadores. 
No interior de M 42, através da utilização de um simples par de binóculos, é possível visualizar as estrelas do trapézio, quatro estrelas muito jovens, que iluminam as paredes da nebulosa. Esta imagem resulta da combinação de 45 imagens individuais da parte central da nebulosa e permitiu aos astrónomos identificar estruturas, como sejam, sistemas solares em formação, com metade do diâmetro do nosso Sistema Solar. 
Também se podem distinguir nesta imagem alguns exemplos de jactos de matéria emitidos por estrelas muito jovens, ainda embebidas na nebulosa. Apesar de se estender por cerca de 2,5 anos-luz, a nebulosa está tão longe que esta imagem obtida pelo Hubble ocupa uma área com apenas cerca de 5% da área ocupada no céu pela Lua cheia.

Glóbulo NGC 1999

2003-02-06

Crédito: NASA & The Hubble Heritage Team (STScI/AURA).
Telescópio: Hubble Space Telescope (NASA/ESA).
Instrumento: Wide Field Planetary Camera 2 (WFPC2).
 
NGC 1999 é uma nebulosa de relfexão situada a cerca de 1 500 anos-luz de nós, numa região activa em formação de novas estrelas na constelação do Orionte. As nebulosas de reflexão brilham porque os grãos de poeira refletem a luz de estrelas embebidas na nebulosa. Ao contrário das nebulosas de emissão, cujo brilho avermelhado se deve à excitação dos átomos do gás, as nebulosas de reflexão são azuladas porque os grãos de poeira reflectem preferencialmente a luz azul. NGC 1999 é iluminada por uma estrela quente muito jovem, V380 Orionis, que se encontra ligeiramente à esquerda do centro da imagem. À direita do centro, encontra-se uma pequena nuvem escura que é um exemplo de um glóbulo de Bok.
Trata-se de uma nuvem de gás molecular frio e poeira, que por ser tão espessa e densa, bloqueia toda a luz que vem por trás dela. Os glóbulos de Bok formam estrelas no seu interior. Esta imagem foi obtida logo após a missão de reparação do telescópio espacial Hubble em Dezembro de 1999.

B 33 - Nebulosa da Cabeça do Cavalo



Crédito: European Southern Observatory (ESO).
Telescópio: Very Large Telescope - Kueyen (Paranal Observatory, ESO).
Instrumento: FOcal Reducer/low dispersion Spectrograph 2 (FORS2).
 
Esta nebulosa, localizada na constelação de Orionte e próxima da Grande Nebulosa de Orionte (M 42), é um dos objectos celestes mais fotografados do céu. Esta nebulosa, que lembra a cabeça de um cavalo (donde o seu nome), é também conhecida pelos seu número de catálogo B 33, e é parte da nuvem molecular Lynds 1630, estando localizada na parede externa da região IC 434, uma nebulosa de emissão composta de hidrogénio ionizado (dita região H II). A distância a esta região é de cerca de 1400 anos-luz (430 pc). A cor vermelha é devida à emissão Hα do hidrogénio da região H II, enquanto que a cor azul-verde é luz dispersada na poeira da nebulosa. Na parte superior da cabeça pode ver-se uma zona de interface brilhante que separa a poeira da nebulosa de emissão. Trata-se duma frente de ionização na qual os fotões ionizantes da região H II penetram na nebulosa, destruindo a poeira e as moléculas, e aquecendo e ionizando o gás interestelar. Ao sofrer continuamente este tipo de erosão, as estruturas como esta nebulosa são necessariamente transientes, sendo destruídas numa escala de tempo da ordem de alguns milhares de anos.

Galáxia com anel polar NGC 4650A



Crédito: NASA & The Hubble Heritage Team (STScI/AURA).
Telescópio: Hubble Space Telescope (NASA/ESA).
Instrumento: Wide Field Planetary Camera 2 (WFPC2).
 
Localizada a 130 milhões de anos-luz, NGC 4650A é uma das 100 galáxias contendo um anel polar que se conhecem. Esta estrutura não é ainda totalmente compreendida, mas pensa-se que resulta da colisão colossal de duas galáxias, há mais de mil milhões de anos. Os restos de uma das galáxias transformou-se no disco central interior (horizontal na imagem). O seu aspecto regular e liso indica que é um sistema denso, composto por estrelas velhas e vermelhas, e que contém pouco gás e poeira. A outra galáxia, de menor dimensão que a primeira, foi desfeita durante a fusão e os seus restos formaram um anel de poeira, gás e estrelas, que orbita o disco central perpendicularmente. É o anel polar (vertical na imagem). Condensações brilhantes de cor azulada são especialmente proeminentes nas zonas mais externas do anel polar, indicando regiões de estrelas jovens azuis, nascidas após o desastre galáctico. O anel polar não se encontra exactamente no plano vertical, mas apresenta um elevado grau de distorção.

Galáxia espiral NGC 4414



Crédito: NASA & The Hubble Heritage Team (STScI/AURA).
Telescópio: Hubble Space Telescope (NASA/ESA).
Instrumento: Wide Field Planetary Camera 2 (WFPC2).
 
Esta imagem, com um campo de 2,4 minutos de arco de lado, mostra a galáxia espiral NGC 4414, com um diâmetro de 56 mil anos-luz. A galáxia encontra-se à espantosa distância de 62 milhões de anos-luz, na direcção da constelação da Cabeleira de Berenice. Foi a partir da medição rigorosa do brilho de estrelas variáveis em NGC 4414 que se conseguiu medir com precisão a distância à galáxia. Distâncias desta ordem de grandeza são usadas pelos astrónomos para estimar parâmetros como a constante de Hubble, a idade ou a taxa de expansão do Universo. Nesta imagem podemos ver que a parte central da galáxia, como é típico das galáxias espirais, contém essencialmente estrelas velhas de cores amarela e vermelha. Os braços espirais parecem azulados, resultado da formação, em curso, de estrelas jovens, azuis. Os braços espirais são igualmente ricos em nuvens de gás e poeira interestelares, que na imagem aparecem como estruturas escuras contrastadas pelo fundo de luz estelar.

 Fonte: Portal do Astrônomo - Portugal 
http://www.portaldoastronomo.org/


GALÁXIA FOSSIL GERA 250 SÓIS /ANO



Galáxia fóssil produzia 250 sóis por ano


Galáxia fóssil produzia 250 sóis por ano
Esta descoberta inesperada revela um vigoroso e agitado movimento de formação estelar em uma galáxia do Universo primitivo, um berço de estrelas onde as estrelas-bebês nasciam a um ritmo de 250 sóis por ano. [Imagem: ESO/M. Kornmesser]

Pela primeira vez, astrônomos mediram diretamente o tamanho e o brilho de regiões de formação estelar numa galáxia muito distante, graças a uma descoberta inesperada do telescópio APEX (Atacama Pathfinder Experiment).
A galáxia encontra-se tão distante, e a sua luz demorou tanto tempo para chegar até nós, que a imagem agora captada é uma verdadeira viagem no tempo, mostrando a galáxia como ela era há 10 bilhões de anos - um verdadeiro "fóssil cósmico".

Conglomerados de galáxias
O feito foi possível porque uma lente gravitacional cósmica está amplificando o brilho da galáxia, permitindo que ela seja visualizada como estivesse muito mais perto, uma imagem que seria totalmente impossível de obter de outro modo.
Ao observarem um conglomerado (cluster) de galáxias de grande massa nos comprimentos de onda do submilímetro, usando o telescópio APEX, no Chile, os astrônomos descobriram uma nova galáxia muito brilhante, mais distante do que o próprio conglomerado que eles estavam observando.

A nova galáxia foi batizada com o nome de SMM J2135-0102.

Os conglomerados de galáxias estão entre os objetos de maior massa do Universo, mantidos coesos por ação da gravidade. São compostos por centenas de milhares de galáxias.
Contudo, as próprias galáxias contêm apenas cerca de um décimo da massa total do conglomerado - a maior parte da massa, que corresponde a mais de um trilhão de vezes [1015] a massa do Sol, é composta por gás quente e matéria escura.

Lente gravitacional
A enorme massa do conglomerado de galáxias curva a luz que vem da galáxia mais distante, atuando como uma lente gravitacional. Exatamente como acontece com um telescópio, esta lente gravitacional amplifica a luz, tornando a imagem da galáxia longínqua mais luminosa.

Graças ao alinhamento casual - um verdadeiro golpe de sorte dos astrônomos - entre o conglomerado e a galáxia longínqua, esta última tem sua luz muito amplificada, por um fator de 32.
"Ficamos surpresos ao descobrir um objeto extremamente brilhante que não se encontrava na posição esperada. Rapidamente compreendemos que se tratava de uma galáxia previamente desconhecida que se encontrava muito mais distante mas que estava sendo amplificada pelo conglomerado de galáxias mais próximo de nós," afirma Carlos De Breuck, do Observatório Europeu do Sul (ESO).

"A amplificação mostra-nos a galáxia com um nível de detalhes sem precedentes, embora se encontre tão distante que a sua luz levou cerca de 10 bilhões de anos para chegar até nós," explica Mark Swinbank, da Universidade de Durham, na Inglaterra, autor principal do artigo científico que relata a descoberta. "Nas observações que se seguiram, obtidas com o telescópio Submillimeter Array, pudemos estudar as nuvens onde estrelas se formam na galáxia com enorme precisão."

O efeito de lente gravitacional foi previsto pela Teoria Geral da Relatividade de Albert Einstein. Devido à enorme massa e à sua posição intermediária entre nós e as galáxias muito distantes, os conglomerados de galáxias atuam como lentes gravitacionais extremamente eficientes, curvando a radiação que vem das galáxias que se encontram por trás deles. Dependendo da distribuição da massa do conglomerado, vários efeitos interessantes são produzidos, tais como amplificação, distorções de forma, arcos gigantes e imagens múltiplas da mesma fonte.

Maternidade de estrelas
Esta descoberta inesperada revela um vigoroso e agitado movimento de formação estelar em uma galáxia do Universo primitivo, um berço de estrelas onde as estrelas-bebês vêm ao mundo cem vezes mais depressa do que nas galáxias atuais.
A amplificação permite que as nuvens de formação estelar possam ser isoladas na galáxia até uma escala de cerca de algumas centenas de anos-luz - quase até ao tamanho das nuvens gigantes da nossa própria Via Láctea.
Para podermos observar este nível de detalhes sem a ajuda de lentes gravitacionais precisaríamos dos telescópios do futuro, como o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), que se encontra atualmente em fase de construção no mesmo planalto onde está instalado o APEX, há cerca de 5.000 metros de altitude.

Desta forma, esta descoberta por acaso deu assim aos astrônomos uma antevisão única da ciência que será possível realizar daqui a alguns anos com o ALMA.

Nascimento de estrelas
Estas "fábricas de estrelas" são semelhantes em tamanho às que se encontram na nossa Via Láctea, mas são uma centena de vezes mais luminosas, sugerindo que a formação estelar no início de vida destas galáxias tenha sido um processo muito mais vigoroso do que o que é geralmente encontrado em galáxias mais próximas de nós no tempo e no espaço.
As nuvens parecem-se, de muitas maneiras, com os núcleos densos de nuvens de formação estelar no Universo mais próximo - e, portanto, mais recente.

"Estimamos que a SMM J2135-0102 esteja criando estrelas a uma taxa equivalente a cerca de 250 sóis por ano," diz de Breuck. "A formação estelar nas suas enormes nuvens de poeira é diferente da que acontece no Universo próximo. No entanto, as nossas observações sugerem igualmente que deverá ser possível utilizar o mesmo tipo de física utilizado para as maternidades estelares mais densas nas galáxias próximas, de modo a compreender a formação estelar nestas galáxias mais longínquas."

Redação do Site Inovação Tecnológica - 22/03/2010