sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O Homem e a Astronomia - o passado e o futuro...


O Homem e a Astronomia 

    - o passado e o futuro...

 
A Grande Pirâmide de Quéops no Egipto.
 
Neste conjunto de textos será proposta uma breve viagem no tempo: ao passado e ao futuro! Ao passado porque nos tempos mais remotos, a astronomia contribuiu de forma decisiva para a sobrevivência da humanidade. Ao futuro porque pensamos que será de novo a astronomia a permitir a sobrevivência da espécie humana.

Falaremos da importância da astronomia na evolução cultural do Homem, e da sua influência em diversas áreas do conhecimento e no desenvolvimento das civilizações, em particular da civilização ocidental. Focaremos o caso paradigmático da civilização grega, e a transformação e desenvolvimento verificado na Europa a partir do séc. XII.

Tal como no passado, a influência da astronomia no futuro próximo da nossa civilização parece-nos evidente. No futuro mais longínquo, cremos que essa importância será ainda mais determinante. Tal como no início, será de novo a astronomia a permitir que a espécie humana sobreviva; neste caso ao fim do Sistema Solar. Sabemos que o Sol não é eterno, e se a humanidade pretende sobreviver a esta catástrofe astronómica, terá que encontrar os meios necessários para cumprir esse objectivo, antes que seja demasiado tarde...

A Astronomia será então fundamental para o sucesso daquele que será talvez o mais nobre de todos os empreendimentos da humanidade: salvar a espécie humana.

Ao longo das próximas semanas vamos apresentar os seguintes temas:
Autoria:
Paulo Maurício
Centro de Astrofísica da Universidade do Porto - Departamento de Matemática Aplicada -
Faculdade de Ciências - Universidade do Porto

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A FUGA

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O Absoluto e o Início da Manifestação

O Absoluto e o Início da Manifestação

No Princípio

O autor hebreu que escreveu o Génesis iniciou esta obra com uma palavra nova, única, jamais usada em todo o Antigo Testamento: Bereshit. (1)

Jerónimo traduziu-a por “in principio”, termo que admite duas interpretações: uma concreta (mais próxima do sentido da palavra hebreia) e outra abstracta (que se aproxima da tradução grega en arché). Depois, os diferentes tradutores afastaram-se cada vez mais do sentido original, interpretando in principio como “no começo”.

As palavras-chaves que nos permitem compreender o verdadeiro sentido do primeiro versículo do A.T. são as três primeiras: “Bereshit bara Elohim”. Vamos estudá-las, então, para depois comparar a tradução resultante com o texto conhecido nas diversas versões bíblicas.

A palavra “bereshit” é formada pela preposição be e pelo substantivo reshit, começo, parte inicial. Por isso, usada substantivamente, como no Génesis, esta palavra não se refere a um começo temporal (ao princípio do mundo material), mas a um princípio lógico e ontológico, que é muito anterior àquele. É o Absoluto, o Princípio inteligente e inteligível, a Sabedoria divina, na altura em que concebe ou imagina o Universo, antes da manifestação activa (2) . Esta tarefa é anterior ao começo da manifestação, no Período de Saturno, a que a Bíblia se refere no segundo versículo (3) . Para isso, usa a substância existente na altura (4) , que é expressão de uma das duas energias existentes. (5)

A segunda palavra, “bara” (criou), é um verbo de acção sem sujeito. Não identifica quem criou. A ausência do sujeito assinala o facto de o autor da acção transcender o pessoal.

A terceira palavra, “Elohim”, além de não ser o sujeito da oração, é uma palavra que está no plural. Significa, literalmente, deuses. Há aqui um paradoxo aparente, que não deixa de intrigar, ainda hoje, os teólogos, em virtude do qual o Deus único dos hebreus é designado por um nome no plural.

Recorde-se que o autor do Génesis não era monoteísta. De facto, contrariamente à opinião tradicional da Igreja, o monoteísmo dos Judeus não é um fenómeno remoto, mas surgido em épocas mais avançadas. Este monoteísmo atingiu a expressão plena exactamente na época posterior ao cativeiro. Foi então que o velho deus tribal, Javé, se transformou em Deus único, Criador do mundo, omnipotente. (6)

A palavra “Eloim” refere-se a uma hoste de seres bissexuais, masculino-femininos , expressão da dupla energia criadora, positiva-negativa. Os tradutores, embaraçados com o significado desta palavra, preferiram usar a palavra Deus, que é neutra e singular. Para designarem os seres que, no primeiro capítulo os hebreus denominaram Eloim e no segundo Javé (Javé era e é, um dos Eloim).7

Vamos agora juntar estes elementos e traduzir mais fielmente esta frase. Teremos, então: O Princípio (O Absoluto ou Deus) criou os deuses. Ou, se lermos “nas entrelinhas”: O Princípio, tomando a dupla energia existente (a eterna essência do espaço cósmico) (8), criou os deuses (a dupla energia), que fizeram o duplo céu.



1 Na realidade, Jeremias usa-a quatro vezes, mas com sentido completamente diferente (N. da R.)
2 Max Heindel, Conceito Rosacruz do Cosmo, 2ª ed., págs. 147, 295.
3 O Período Solar está descrito no terceiro, quarto e quinto versículo; o Período Lunar no sexto; O Período Terrestre nos seguintes: Época Polar no nono; Época Hiperbórea, versículos 11 a 19; Época Lemuriana, versículos 20 e 21, a E. Atlante, no versículo 24 a 27, e a E. Ária nos versículos seguintes.
4 Max Heindel, ob. cit. Pág. 149-150, 256.
5 Daqui a célebre locução Ex nihilo nihil: do nada, nada.
6 Max Heindel, ob. cit., pág. 263; Cf. Sergei Tokarev, História das Religiões, Ed. Progresso, 1986, pág. 286.
7 Max Heindel, ob. cit., pág. 263.
8 Max Heindel, ob. cit., pág. 149.

Fonte:
FRATERNIDADE ROSACRUZ DE PORTUGAL
http://www.rosacruz pt.org/auditorio /